O Brasil contra o Vulcão


EdiSilva
A abertura do filme "Joe Contra o Vulcão" (Joe Versus the Volcano, no original - 1990), com Tom Hanks e Meg Ryan, uma comédia romântica, trás Hanks na sua fase anterior aos filmes que lhe deram dois oscars e elevaram sua carreira a outro patamar. Esta abertura nos coloca em uma atmosfera totalmente deprê, com a manhã cinzenta trazendo os funcionários ao trabalho como um rebanho ao matadouro. Esta abertura traduz bem o sentimento do Brasil de hoje. 

Estamos tão envolvidos por um clima de desesperança, que nem mesmo ousamos sair às ruas para lutar pelos nossos direitos. Preferimos ficar em casa ouvindo a responsável pelo nosso estado de letargia, reafirmando todos os dias que não somos nada e que devemos permanecer afundados na lama, pois este é o lugar de quem nasce ao sul do "grande irmão do norte", sendo este o exemplo mais perfeito do que nossa sequestradora pretende que sigamos.

Não parecemos nem um pouco hoje com o povo que há pouco tempo tinha orgulho daquilo no quê seu país estava se transformando. Éramos uma nação finalmente do presente e não mais de um distante futuro que nunca chegava.

O Brasil disputava espaço na política internacional. Era bem recebido em eventos dos quais participavam as maiores nações do mundo. O Brasil surgia para o mundo.

A árvore que prometia muitos frutos, foi decepada em sua escalada, sempre sob as nuvens do pessimismo que vinham da globo e de seus colunistas. Todos os dias o Brasil quebrava nas palavras de mírians, mervais e outros do mesmo calibre.

Tanto disseram, que levaram, primeiramente, os empresários, que ganharam muito dinheiro nos governos do PT, a acreditarem nas própria incapacidade. E com  isto, veio o desemprego e o povo voltou a descrer de si e de onde poderia chegar. De que poderia ser respeitado.

O Brasil de hoje, assim como os seus habitantes, não é sombra do quê era há três ou quatros anos atrás. O país de hoje é sombrio como a abertura do filme mencionado e se guarda para algum futuro, que, novamente, será eternamente empurrado para a frente, pois, óbvio, um país do futuro nunca pode ter presente. 

1965 (Duas Tribos)

Compositor: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá - Gravação: Legião Urbana

Vou passar
Quero ver
Volta aqui
Vem você
Como foi
Nem sentiu
Se era falso
Ou fevereiro
Temos paz
Temos tempo
Chegou a hora
E agora é aqui.
Cortaram meus braços
Cortaram minhas mãos
Cortaram minhas pernas
Num dia de verão
Num dia de verão
Num dia de verão
Podia ser meu pai
Podia ser meu irmão
Não se esqueça
Temos sorte
E agora é aqui
Quando querem transformar
Dignidade em doença
Quando querem transformar
Inteligência em traição
Quando querem transformar
Estupidez em recompensa
Quando querem transformar
Esperança em maldição:
É o bem contra o mal
E você de que lado está?
Estou do la...do do bem
E você de que lado está?
Estou do la...do do bem.
Com a luz e com os anjos
Mataram um menino
Tinha arma de verdade
Tinha arma nenhuma
Tinha arma de brinquedo
Eu tenho autorama
Eu tenho Hanna-Barbera
Eu tenho pêra, uva e maçã
Eu tenho Guanabara
E modelos revell
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país
Em toda e qualquer situação
Eu quero tudo pra cima
Pra cima

Legião Urbana - 1965 (duas tribos)


A música foi escrita para um outro país, mas mostra exatamente o ponto para o qual voltamos.

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